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Sítio em formação e...colaboração.     Ponte sobre o Angueira - S. Joanico   S. JOANICOTRADIÇÕES

       TRADIÇÕES

4.2 - AS TRADIÇÕES – São, praticamente, as mesmas das outras aldeias do Concelho. Por causas óbvias, perderam-se quase todas. A começar, há já muitos anos, o falar mirandês. O tom do seu modo de falar, que também está a perder, bem denuncia o concelho a que pertence; aquilo a que chamam o falar à “bileira”; os ditongos em “ais” têm um som intermédio com o em “ois”; por exemplo “ para onde vais “ parece ter o som de “ois”, “p,ra onde “bois”; o mesmo se passa com outros ditongos e alguns sons vocálicos. Não sei se infelizmente, o próprio Vimioso já quase não fala assim, também.

A dança dos pauliteiros pelos jovens de S.joanico da altura, ao som da gaita – de – foles do tio Joaquim Curralo, do bombo e da caixa do tio José Pedrão e dos ferrinhos que tanto animava e abrilhantava a festa de S. João, também já pertence ao passado.

Pelo Natal, também se cantavam os Reis, quando esta festividade chegava, cujas letras, sobejamente conhecidas, me dispenso de as transcrever porque tirando uma ou outra adaptação, são as mesmas em todo o Concelho.

No Entrudo, além  das mascaradas comuns, da farinha e das bugalhas espalhadas  pelas casas, apregoavam-se os mais originais e não sei mesmo se os mais acertados casamentos. Os funis e os regadores eram, à época, os melhores altifalantes. Era mais ou menos assim: dois “maduros”, regra geral acompanhados de outros, colocavam-se à distância e apregoavam: “Vamos casar”.  “ E quem?”  “Fulano(a).....”E com quem vem a ser?”_ “Vai a ser...vai a ser... com....(dizia-se o nome), após o que se terminava às gargalhadas:”grá....grá...grá...”

Saliente-se ainda dois costumes, também, em geral, presentes  nas outras aldeias, felizmente desaparecidos: um, o de mendigos ou pobres que andavam de terra em terra, pernoitando em casas, regra geral, já certas. Destes, destaco  a humildade, a dedicação e o espírito de serviço, pedindo sempre para fazer qualquer coisa, como partir lenha, ir à fonte... Tinham também o hábito de ir de porta em porta, e aí rezar, depois de tirar o chapéu, pelas “ benditas almas” e pelas “obrigações” da casa onde pediam. 

Havia outros pedintes – os ciganos -  cujo relacionamento de parte a parte já não era tão bom, bem pelo contrário... Estes, sobretudo as crianças, tinham, por vezes, um  gesto, até de ternura, que não era de oração mas artístico, de troca: “dê-me uma codinha e danço!...”  E as pessoas achavam-lhe graça e até davam...Havia também a outra face oposta: a da maldição, a da imprecação, na retirada, quando não se dava: “uma loba te nasça maldita....” Era dita, evidentemente, sem intenção e recebida sem indignação; tanto assim era que as pessoas, por brincadeira, repetiam esta e a expressão anterior, umas às outras...

        JOGOS TRADICIONAIS: Entre outros, havia os da relha, do ferro, da barra, da pedra ( com umas dezenas de Kilos), jogados por entre as pernas  ou de lado e projectando aqueles a maior distância possível; do fito ou  Cunca ou malha que, regra geral,  se jogavam junto à ribeira e à ponte, a montante, do lado esquerdo, sempre no mesmo local, sendo bem visíveis - na época -  as covas, onde as pedras caíam e  resvalavam para deitar abaixo o meco ou marco. 

 Trabalhos tradicionais: O linho. A lã. O cultivo e a elaboração... ARTESANATO, Artes  e Ofícios  No passado já bastante remoto, os habitantes, tal como nas outras aldeias, bastavam-se a si próprios nas Artes e Ofícios. Havia ferreiros, carpinteiros, sapateiros, barbeiros, alfaiates, pedreiros, latoeiros, serradores, ferradores, costureiras, taberneiro...Regra geral todas as famílias faziam o seu pão(fogaça) em casa, pedindo-se de emprestado à vizinha, enquanto não se fazia a fornada. Na Vila, apenas compravam algumas roupas e a mercearia e o tradicional bacalhau  A matança do porco da maioria das pessoas, dava-lhe a carne para todo o ano, bem como a criação de coelhos e aves de capoeira; para ocasiões mais festivas, a vitela, o cabrito, o borrego... Aquela era para as famílias, amigos e vizinhos, vindos até de outras terras, um dia de festa e de convívio que se prolongava pelo Inverno dentro, na retribuição do convite pelo mesmo motivo... A praça do peixe tinha assento no meio da aldeia, mas apenas para alguns amadores da pesca, à cana e à rede... A sardinha, o carapau  e o cânhamo eram comprados à porta, ao sardinheiro que, regra geral, vinha de  Vimioso, havendo famílias que compravam aquela, às caixas.

As peles dos animais, do coelho, da cabra e da ovelha, sobretudo, eram vendidas à porta, aos “peliqueiros” ou “argoseleiros,”, vindos de Argoselo - "Surradores de Argozelo"... que, pelas ruas, em cima dos seus cavalos, ou puxando - os pela  reata,  apregoavam numa voz grossa e cavernosa e com sotaque ou som característico da terra, que  outros povos, por e com graça imitavam: “peles e carniçoilos”. (Estes são um fungo, de forma córnea, que o centeio gera na espiga e que  eram vendidos a bom preço. Deles se extrai uma substância usada na preparação dos curtumes, como preservante ou neutralizante do elemento proteico). O azeite era comprado aos azeiteiros de Carção , que à semelhança dos seus vizinhos  de Argozelo, andavam também pelas ruas. muitas famílias a comprar às caixas.

A roupa, sobretudo para homem, em cortes ou ao metro, a que se chamava pana ou bombazinea  vinha-nos de Espanha, comprada, secretamente, por causa da Guarda Fiscal e dos Carabineiros, aos contrabandistas, que, depois, era trabalhada pelos nossos alfaiates. Também os “cacharros”, as alpercatas, as malgas, as canecas, os pratos de barro e as boinas ou gorras ou cachuchas, as galhetas(tipo de bolacha). Em contrapartida, levavam ovos, trapos, café ... Os contrabandistas, também eles pobres e sofridos, puseram muita mesa, vestiram e calçaram muito pobre, também... (História que ainda está por escrever...mas que já faz parte do plano Municipal -" A Rota do Contrabando")

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